sábado, 19 de novembro de 2011

Borboletas e mariposas



Reza a lenda japonesa que quando uma borboleta ou mariposa pousa em nossa casa é prenúncio da morte de alguém conhecido. 
Procuro conduzir minha vida sem dar importância a crendices, mas no domingo passado uma mariposa gigante passou a tarde toda pousada na parede da minha garagem e, coincidência ou não, anteontem morreu Raberuan.     
Como que para não deixar dúvidas, hoje às 4 horas da manhã quando estava dormindo tentando me recuperar da tristeza que foi o seu enterro, recebi a notícia do falecimento de uma tia que há muito estava em coma.

Não sei se esses seres alados são de fato arautos de mortes, mas eu, que gosto tanto de borboletas, torço para que minha amiga Fátima Bugolin esteja certa quando diz que elas trazem sempre muita sorte e alegria.

E quanto às notícias tristes, que venham a nós através dos costumeiros telefonemas e emails.. Prefiro os emails, pois podemos de vez em quando evita-los, não abrindo, dando perdido, fazendo de conta que não existem, criando a ilusão de que os entes queridos são eternos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mães, desmintam-me se forem capazes

Quando os filhos saem da nossa casa para cuidar de suas próprias vidas, nos angustiamos por não saber se conseguirão sobreviver sem a nossa assistência (para mim, alimentação é o item mais preocupante).

Mas pasmem, eles conseguem!!

Nossa angústia aumenta porque não temos mais função na vida dos nossos rebentos.

De posse dessa informação as criaturas passam a nos chantagear: - “Mãe, vou te visitar. Prepara aquela comida que só você sabe fazer?”

Alívio total. Saímos feito loucas a comprar os ingredientes para preparar a iguaria, sendo irrelevante se o objeto de desejo é um simples pudim de pão ou um sofisticado udon com shiitake acompanhado de sushi que eles comem com tanto prazer que vamos às lágrimas.

Chegada a hora de ir embora, lá se vão alimentados e felizes e ainda por cima levando marmitas com feijão e arroz fresquinhos, bife temperado e o que mais puder ser armazenado na geladeira e no freezer.

Quanto a nós, só nos resta aguardar ansiosamente pelo anúncio da próxima visita.







segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Meu amigo Tião Soares




Acredito que todo o ser humano se depara em alguns momentos com encruzilhadas onde tem que decidir que rumo dar a sua vida.
Estava eu levando uma vida confortável - filhos adultos, chá com as amigas, algumas viagens, idas ao shopping, mas bastante incomodada com a situação quando surgiu Tião Soares e me colocou numa dessas encruzilhadas.

Certa noite, o Akira talvez cansado de me ver criar projetos e não conseguir executá-los por não encontrar interlocutores, se utilizou de um estratagema e me levou a uma reunião comandada por Tião e seu fiel escudeiro Pedro Neto (de quem ainda pretendo falar neste blog).
Fui cheia de má vontade, já tinha ouvido falar da atuação da Fundação Tide Setúbal em São Miguel, mas tais assuntos não me interessavam mais. A reunião continuou e as palavras foram encontrando ressonância no meu cérebro de tal maneira que saí de lá entusiasmada falando pelos cotovelos com o Akira, mas ele, reconhecendo uma certa bipolaridade que me ataca às vezes e não querendo arriscar, me convenceu a participar de novo encontro dali a 15 dias e pacientemente me acompanhou durante quase um ano às reuniões quinzenais de formação comandadas pelo Tião.

As reuniões eram enriquecedoras, encontrei em Tião e no Pedro os interlocutores que tanto havia procurado. Deram visibilidade e credibilidade a mim e às minhas idéias, se tornaram meus parceiros e tiveram participação definitiva na minha talvez derradeira escolha.

Desde então tenho participado diretamente ou acompanhado à distância as peripécias de Tião Soares e sua equipe, reconhecendo sempre a enorme importancia de sua ação na vida cultural de São Miguel Paulista.

Eis que, num certo dia, recebo a notícia de que Pedro Neto havia deixado a Fundação, pronto, o sinal de alerta soou no meu cérebro, mas Tião ainda estava lá firme e forte. Era o que eu pensava.
De repente, não mais que de repente, Tião Soares é demitido da Fundação.
Tião subtraido da Fundação é uma matemática que não consigo compreender.

São Miguel perderá um grande aliado, mas penso que a perda maior será da própria Fundação que não contará mais com o seu incansável articulador.
Substituirão por outro profissional (de novo a lógica), afinal ninguém é insubstituível. Será?
Na minha modesta opinião, paixão, dedicação e lealdade somados à evidente competência são itens difíceis de encontrar no mercado, portanto insubstituíveis.

Já eu, egoistamente sinto que perdi um porto seguro a quem recorria para me reabastecer de cultura, energia e de abraços sempre disponíveis e calorosos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Bolero - Ravel/Béjart







A coreografia de Maurice Béjart, trecho do filme Retratos da Vida (Bolero) "Les uns et les autres" de Claude Lelouch, é uma das minhas preferidas. Assisti a várias versões, mas esta com solo de Jorge Donn, que dança no filme, é imbatível.

Não entendo o suficiente de ballet para dizer o quanto a técnica de Jorge Donn é boa, mas para mim, nesta coreografia ele está perfeito, é o bailarino se expressando em sua plenitude.


A música é Bolero de Maurice Ravel

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ontem um cão raivoso me atacou nas Lojas Marisa do shopping Tatuapé.. estava disfarçado de mulher.

Ontem, domingo, fui curtir um dia de menina no shopping, entrei nas lojas Marisa para comprar lingeries e ao me dirigir à vendedora para saber onde estavam as peças que queria adquirir, não percebi que a mesma estava atendendo uma outra pessoa, o cão em questão disfarçado de mulher, que veio aos berros pra cima de mim dizendo que eu procurasse outra atendente, pois estava atrasada para o trabalho (detalhe: ela trabalha num hospital). Tentei ignorá-la, mas a mulher continuou falando alto. Atordoada, só consegui balbuciar: É assim que você trata os pacientes?

Não consegui sentir raiva da mulher, em outros tempos teria discutido, chamado a atenção dos presentes para aquela falta de educação, mas ontem só queria me distanciar daquela cena absurda e total "non sense" que protagonizei. 

A cena retratou uma violência aparentemente gratuita, mas que já vinha sendo anunciada seja pelo péssimo atendimento nas lojas com atendentes mal humoradas se escondendo para não nos atender ou as pessoas se esbarrando umas nas outras no shopping lotado ou ainda disputando lugar para se sentar na praça de alimentação.

Apesar da aparente serenidade com que enfrentei a situação, confesso que me apavorei diante da perspectiva de, quem sabe, ir parar no noticiário de TV.. daqueles que retratam o mundo cão diariamente.