sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cumadi Mi





Cumadi Mi é uma pessoa que fala através de gestos.. A nossa amizade, por exemplo, ela construiu ponto a ponto, ora compartilhando comigo pedaços dos bolos feitos para a Laura e o Scalla, ora fazendo lasanha e arroz de forno pro meu filho (que adora lasanha e arroz de forno), ora cuidando da minha filha pequena para eu poder trabalhar (quem nossos filhos beija, nossa boca adoça), ora sendo cúmplice em pequenos atos ilegais, que eu não confesso nem sob tortura, ora tricotando meia de lã para aquecer meus pés durante o inverno..
Somos comadres porque ela me deu uma afilhada, Laura, seu bem mais precioso.
Cumadi Mi é minha irmã de alma, aquela que me acolheu sem nada pedir em troca e em cujo colo mergulho descaradamente sem a menor cerimônia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Casa Arrumada

Minha amiga Cidinha me mandou este texto, erroneamente atribuído a Drummond, mas que na realidade foi escrito por Lena Giro, onde ela traduz em palavras, vejam só, a minha casa!!

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.

domingo, 31 de julho de 2011

Meu amigo Claudemir



Não sei se acontece com todos, mas comigo é assim: quanto mais o tempo passa, mais dificuldades tenho de estabelecer novas relações de amizade, seja devido ao mal humor, um traço da minha personalidade que com o tempo se acentua, seja pela impaciência cada vez mais frequente, afinal, relações de amizade necessitam de carinho e paciência, ou talvez ainda por pura preguiça, não sei explicar.. é um fato.

Felizmente há exceções e o Claudemir é uma delas.. relação difícil - o cara é complicado, tem a lingua afiada. Não sei explicar, a relação tinha tudo para dar errado, mas gosto cada vez mais deste moço, gostou do "moço" Claudemir?

Todavia, por via das dúvidas, mantenho a minha guarda armada, não sei de onde virá a próxima porrada..

domingo, 24 de julho de 2011

Sarau da Casa Amarela - 13/05/11


Travesseiro de Clarice - poema de Akira Yamasaki musicado por Raberuan




sábado, 2 de julho de 2011

Sakura

Eis a paisagem que enxergo da janela da minha cozinha


01/07/11
Início da florada








02/07/11








domingo, 19 de junho de 2011

Por que acaba um casal?


Estava eu lendo o texto escrito por Contardo Calligaris na folha ilustrada (leitura atrasada, o jornal era de quinta-feira) que começava assim: " No domingo passado, Dia dos Namorados, uma amigo mandou flores para sua mulher com este bilhete: - Posso ser seu namorado ou continuo sendo seu marido?.. "
De repente me perdi na leitura e comecei a divagar sobre o casal que eu e o Akira formamos. Um belo dia, os filhos estavam crescidos, olhamos um para o outro e nos perguntamos - e agora, como será o resto de nossas vidas? Afinal, queríamos continuar juntos, mas como encurtar a distância que se instalou imperceptivelmente ao longo dos anos? Em uma decisão conjunta resolvemos quebrar o paradigma retratado no texto, o da acomodação, da inércia, da preguiça.
Confesso que no início foi difícil, começamos com um happy hour semanal, quase obrigatório, tipo batendo cartão, sem ter o que conversar.. enormes silencios, mas aos poucos redescobrimos coisas que tinhamos em comum, as conversas começaram a fluir..  reconheço que ainda é complicado, frequentemente precisamos renegociar o contrato, mas estamos muito empenhados na tarefa cada dia mais fácil e prazerosa de construir este novo casal.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Puruba


Nosso amigo e padrinho de casamento Edsinho vivia nos convidando para conhecer sua casa em Puruba e eu vivia rejeitando os convites devido a um trauma adiquirido na juventude.

É que numa dessas aventuras juvenis fui acampar com alguns amigos em Ubatuba e o local era tão lindo e isolado que fomos todos nadar pelados no rio. Mal sabia que seria atacada por borrachudos vorazes que me causaram uma alergia medonha da qual demorei anos (à custa de muitas picadas de vacina anti-alérgica) para me recuperar. Desde então recusei todos os convites que me conduziam ao litoral norte.

De nada adiantava me garantirem que os temíveis insetos estavam sob controle graças à uma alma boa que os eliminava no nascedouro ou que se eu ingerisse vitamina K ou E, não me lembro, me imunizaria contra os ataques dos repugnantes seres. Nada absolutamente nada me convencia a ceder.

Até que neste final de semana, após anos de recusa, penalizada, pois o Akira​ queria muito conhecer Puruba, alegando que sem mim não iria, resolvi arriscar e munida de coragem, marido, filhos e muito repelente na bagagem, concretizamos o seu desejo.

Que deslumbramento!! Maravilhoso, um paraíso habitado basicamente por duas famílias. Os borrachudos ainda estavam lá, mas eram poucos, me deixaram em paz e foram atacar outra vítima desavisada, o pobre do Akira, mas este nem sentiu, já imune, curtido por anos em cachaça.